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Mostrando postagens de Janeiro, 2017

Talhados na aparência (com amor?!)

"A beleza se define portanto como a manifestação sensível da (própria) ideia..."
São Paulo, Rua Augusta GLS, numa roda boêmia de conversa sobre política aplicada, abre-se a discussão sobre a aparência da ministra – até então reprovada por todos, menos por mim: - Gente, ela não é feia! Eu não consigo vê-la feia. Eu não a acho feia. - Larissa, das duas, uma: ou você tem um coração muito bondoso, ou você tá numa carência amorosa trágica! Gargalhamos... - Pega o celular dela e liga pra namorada dela do Rio Grande do Sul. Diz que ela tem que pegar o primeiro voo para São Paulo... – brincou outro. - Hahahaha... Ai, ai... Prefiro acreditar que tenho um coração bondoso. – afirmei – Minha namorada e eu estamos cumprindo bem nosso destino. - É a primeira pessoa que afirma que ela é bonita. - Sério, cê tá bem? Tem controlado a hipertensão? Verificou se a erva-mate que você bebe todos os dias está dentro da validade? - Hahahaha... Gente, mas o que os faz achá-la feia? - Ela é esquisita!…

Homenagem

Gente que me busca no pão e no tom. Busca-me pela mão e pelo som. Busca-me pelo corpo até a cama. Busca-me no tempo e no silêncio. Busca-me pela casa e pelas companhias. Busca-me no travesseiro e no cafuné. Busca-me pela certeza e pela fé. Busca-me pelos ouvidos e pelo chão. Busca-me na segurança e no colchão.  Gente que me busca na calma e na faca, na toalha e na água, na memória e na sala, pela máquina e pela tomada. Gente que me busca na alma e na palavra. Busca-me na risada e no relógio. Busca-me no livro, na confiança, na sapiência e na balança. Busca-me no espaço e no oxigênio. Busca-me na roupa e no apoio, no teto e no tapete, no colo e nas senhas. Gente que me busca pelo ombro e pelo lenço. Busca-me na solidão e no argumento. Busca-me pelo lar e pela energia, no instrumento e na inspiração, na cadeira e nos pés, na liberdade e na decisão. Busca-me nos fios e nas opções, na janela e na sanidade. Busca-me pelo piso frio e no cigarro quente.  Essa gente que me busca pela vida qu…

Mon amour – Caio Fernando Abreu: o caso dela e meu...

Por um fio de memória lembrar-me-ei dela naquela exposição no Museu da Diversidade. Como de costume, após o ano de trabalho, permito-me continuar eterna numa cidade que não tem mais fim. Eternamente concreta em Sampa, fui diretamente ao encontro do meu conterrâneo Caio. Estava belo e realizando o seu desejo de apaixonar alguém pelo que escreveu... Era uma sala com mimeógrafo. Nostalgia de um álcool purificador das tintas pingadas em cada letra dos seus versos que estávamos livres para rodar. Então, eis que o sorriso dela declamava com as pálpebras a rima de qualquer coisa maravilhosa e tirava minhas palavras sobreviventes desta boca com gosto podre de fracasso. O sorriso dela declamava com as pálpebras o fato de nascer e viver no bairro da Liberdade. Esse nome entregue ao ser do tempo com “cantos de alívio pelo que se foi; cantos de espera pelo que há de vir”. Ela, aberta ao tempo, se desculpava com Abreu e não escapava de mim deixando uma lembrança qualquer. Mas, eu não fiquei! Tamp…

Tratamento

Resolveu experimentar a beleza da solidão. Um paladar egocêntrico cujas gotículas breves de um suor e outro trabalho não são aparadas pelo sintético tecido de censura. Muito pelo contrário: seguiria caminhos das reações vividas, bem como a lágrima que pode surgir e escorrer pela pele que sobra ao chão do qual ela também emerge. Emerge com o gelo por onde pisa, põe-se à ponta dos pés, cuidadosa – não com os passos – mas com a assistência de sua liberdade nos seus passes de bailarina. Salta lá, um passo à margem! A casa, simples descanso do social, tem berço de concreto, escuro, escuso e singelo de cortinas deste espetáculo estirado num sofá frente à brisa mecânica do circundante vendaval que a livra da alta temperatura adquirida na rua.  Jogou-se suicidamente naquele abraço que desiste da existência sobre um conforto solícito e tenro da cama. Não havia fala, tampouco atenção. Apenas as artérias cumpriam o papel passado.  Futuro, um desleixo profundo de se imaginar. Ao teto, os olhos m…