sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Chance para o amor ser antigo e inútil

"Moonshine, take us to the stars tonight... Take us to that special place, that place we went the last time, the last time..."

A melhor demonstração de afeto e interesse é a despedida. As cartas também; pois são a expressão da distância. Principalmente as que ela me envia – por vezes endoidecida – com datas manuscritas entre uma lembrança e outra.
A solidão me leva para longe. As despedidas me alcançam com longa reticência e me abraçam como um novo parágrafo que se espero do outro. Confiam a percepção da boa-sorte e a percepção que se preocupa. Confinam oximoros. Compõem letras. 
São Chico, Amy, Leandro e Leonardo, Whitesnake, Tom, Vininha, Elis, Bruno Mars... Este último, lembrando-me os rastros que a lua já deixa nos cabelos dela. E ela ainda desafia: se compores uma música para mim, eu te componho uma vida inteira.
Despedida desafia!
Ah, a despedida é o amor que não dói. É o que Pessoa denominava uma qualidade de gente estúpida, julgando amar e se sentir amado, mas que permitia-se ser feliz no mundo. Não permite ilusão; crer que o amor perdure, tampouco no idílio de paz num progresso de anos paralelo ora à felicidade, ora à desilusão.
A despedida, assim como o sofrimento, passa. Assim como a vida passa e todas as coisas que fazem parte dela passam. Despedem-se.
“Outra coisa... Não, não é nada, boca doce...”. Portão de embarque.