Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Março, 2017

Seu doutô!

“Pelos teus exames vejo que tu tens o perfil de um jogador! Jogador de baralho de primeira!” “A-do-ro. Quando o vencer é equipado com jogo, conheço como é tratado o poder. É dizer, posso interpretar o caráter do meu adversário.” “Lari, dizer que tu chegas a conhecer o caráter de uma pessoa através do jogo de baralho é uma afirmação muito forte.” “Meu caro, o poder é o amálgama do caráter.” “Ah, como posso te recomendar academia?!” “Dizia Nabokov, caro médico: cada vez mais sábio, cada vez mais gordo. Meia-hora a mais que tenho de leitura!”
Não, não é somente o pastor que vende terreno no céu, também é o médico que ilude a todos com a eternidade prometida na escravidão da saúde. A cada ano, a cada semestre, a cada dia são recomendados atos cotidianos obrigatórios, assim como o voto, para manter a vida um pouco mais iludida com a imortalidade na escravidão da saúde. Diminuir para metaforicamente diminuir o gosto pela vida. Mas o que é a morte senão a cinza embevecida d’um cigarro corpor…

Entre espirros e gozos

- Oi... - Fala, tchê... - Eu quero dormir com alguém hoje. - Boa sorte. - Juju! - O que foi? Tu disseste que queria dormir com alguém. - Tá bom. Tá bom. Eu quero dormir contigo essa noite. Satisfeita? - Melhorou.  - O que foi? Quantas noites de insônia acumuladas? - Três – disse a ela resmungando.  - Isso anda se agravando. - Ando trabalhando muito. - Isso quer dizer: ando introspectiva demais para me envolver com alguém em busca de um sexo casual que me faça dormir bem durante a noite? - Vai apostando. - Ai, Juju. Não complica. - Tens certeza? - Tudo bem, tu não queres, né?  - E tu vais bancar a difícil às vinte e três horas de um sábado à noite.  - Eu nunca banco a difícil para ti, Juju. E duvido que qualquer mulher desse mundo o faça.  - Que horas tu vens? - Agora, minha Rapunzel adormecida ao avesso. - Tu não esperarias de mim um enredo comum, sim?! - Ainda bem que não, não carregas jeito de princesa. - Ainda bem que tu me sabes. - Falou a anti-herói que, em vez de procurar a sua…

Somadas à prova proustiniana as perguntas realizadas (e lisonjeadas) aleatoriamente

Qual lugar mais seguro do mundo? - Qualquer tempo em qu’eu esteja lendo Fernando Pessoa.
Qual celebridade você gostaria de passar o dia? - Antônio Abujamra.
Você sempre soube? - Que a felicidade é uma ideia velha.
Quando você disse “eu te amo” pela última vez? - Eu nunca disse “eu te amo” pela última vez.
Quais são suas bebidas favoritas? - Justamente as que causam hipertensão. Cicuta é uma delas.
Qual foi o pior lugar que você já esteve? - Colégio Santa Maria.
Qual seu famoso bordão na sala de aula? - “Dúvida, angústia, depressão, estresse?”
Você acredita de cada um tem sua alma gêmea? - Depende do número dado pela expressão “cada um”.
Você tem tatuagem? - Uso apenas henna, pois as figuras me entediam rapidamente. 
Quando foi a última vez que você chorou muito, copiosamente, durante todo o dia ou por vários dias? - No velório do meu pai, há quase vinte anos.
Qual foi seu brinquedo favorito na infância? - Um radinho a pilha.
Quem foi a última pessoa com quem você falou ao telefone? -…

Enigma e comentário

Sobre a primeira semana de aula nas turmas de primeiro ano: literatura jesuítica. A tradição espiritual ocidental é baseada no sofrimento, disse-lhes. Ensina que D’us se deleita quando vê os homens sofrendo e se prostrando. E é por isso que as pessoas religiosas, quando prometem a D’us, prometem - e poderiam prometer: Senhor, se me concederes a benção, eu Te prometo que vou ler, todos os dias, às seis da tarde, um poema de Fernando Pessoa -, mas ninguém oferece coisa boa para D’us! Oferecem, pois, subir mais de quatrocentos degraus, de joelhos, oferecem sangrar seus calcanhares sobre cascalhos, oferecem deixar seu organismo fragilizado pelo jejum...  A ideia de um D’us sádico, que fica feliz com o sofrimento de Seus filhos, é horrível! Nunca leram nas escrituras sagradas que D’us criou um jardim de delícias. Assim fomos criados para a felicidade. Uma coisa de Bachelard: o Universo tem de encontrar o seu destino de felicidade. Afinal, como resolver com a literatura, os conflitos entre…

Escrevendo e cantando com minha “bebé”: uma proposta de estudos comparados com diversão

- Amor, tomei partido das leituras na tua estante enquanto estavas no costumeiro “exílio” em São Paulo. Ficas irritada por isso? - Claro que não, meu bem, desde que os meus livros não saiam de casa. - Estou concluindo as cartas de Fernando Pessoa e Ofélia Queiroz. - Hahahaha... Espero que esteja eu te correspondendo melhor. - Aham... Chega a ser ridícula! – brincou encostando a sua cabecinha no meu rosto – Mas um ridículo gostoso e bem aproveitado, diferente deles. Se tu criasses heterônimos, não terias nada de “Álvaro”. - Nem Pessoa o tinha. Álvaro de Campos era um retrato enfadonho do entrave masculino. Como todo homem da época, existido para esbanjar fortaleza e secura, Fernando fez-se de Álvaro para conseguir objetificar a sua realização (literária). - Os relatos de Ofélia dizem que ele se portava extremamente carinhoso, romântico, cheio de piegas para com ela. - Sertanejo... - Hahaha, o quê?! - Tive uma ideia: vamos continuar a leitura juntas e eu te digo quais as músicas sertan…