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Carta-aberta-de-saudade à minha São Paulo

São Paulo, lugar de sonhos... (Foto: Larissa Pujol)

Como o veloz bater das asas de um colibri, rápido bate o meu coração de saudade e vontade de voltar para a minha cidade. Que saudade de você, São Paulo! Cidade progresso, cidade dos museus, das casas literárias, das casas diurnas e casas noturnas, que não se recolhe num aposento qualquer. Cidade que exclama seu nome com Demônios da Garoa: Isto é São Paulo!
Cidade ambiental do belo Ibirapuera, cidade olhar do belo pessoal transeunte que pelas suas ruas e avenidas percorre. Cidade inteligência! Cidade educação. Cidade que acontece.
São Paulo, menina colegial fundada em 1554, moça Paulicéia que os poetas modernos se puseram a admirar no Theatro Municipal. São Paulo que me acolheu como mãe em seu berço de total aconchego cultural. São Paulo, minha ama-de-leite de suas bibliotecas ao ar-livre, alimentando com seus seios a história de cada pessoa que em você busca o crescimento saudável da sabedoria. Embora tenha eu nascido longe de você, posso afirmar que de sua terra paulistana eu renasci. 
Há pouco, ouvindo Inezita Barroso, parecia que eu estava junto a você, São Paulo... Mas pereci porque, ao correr os olhos pelos jornais locais, não encontrei nenhuma primeira edição que noticiava a cena de ciúme num bar da Av. São João... e então... aquela coisa que sempre acontece no meu coração quando cruza a Ipiranga e a São João se desmanchou em lágrimas... Perdi o trêm, não estava em Jaçanã, não sambei no Brás, o convite do Arnesto não estava na caixinha do correio. Fui do Paraíso à, pelo menos, Consolação de cantar e dançar, embora longe de você, meu par, suas homenagens. 
Ah, minha São Paulo, Sampa de samba desde o Anhangabaú, de jazz no Terraço Itália, de música-novidade por toda a Paulista...
Meu D’us de Anchieta, São Paulo, quanta saudade você me faz...

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