sexta-feira, 28 de abril de 2017

Terceiro tema

E é fato que não sabemos
se voltaríamos a encontrar
o que deixamos o tempo ruir
fechando os olhos
mas mesmo assim eu...
mesmo assim eu... queria tentar.

Náufrago com o corpo cansado
no breu aguardo a tempestade
decidir se me atira outra vez as tuas praias
ou se enfim me leva às rochas
pra descansar.

E é tudo tão covarde...
deixar morrer as chances
por medo que barcos de papel não suportem
as cargas clandestinas
que fingimos não acumular com o tempo...

E é tudo tão impossível... 

Vira a mesa, vira o jogo, vira a casaca e a roleta. Vira saudade, vira poesia. Vira a página e o disco. Vira notícia, vira samba, vira lata, poeta e do avesso. Vira à esquerda, à direita, vira a via. Vira santo, criança, lobisomem, vira o tempo. Vira o dia, o mês, o ano. Vira o tempo. Vira.
Fluência, enfim... Assim como o amor ama através de mitos e serás. A jornada é extensa e por ela multiplicada, mas levada ao longe. Todo o cansaço seria recompensado se eu apostasse diretamente que te alcanço.
De quantos livros ela precisa para voltar a viver? Pergunto enquanto deveria eu amá-la. Bebo enquanto trago esta vida cheio de outros desafiantes da guarida de minha personalidade. Se quero falar de velocidade, tem que ser com luz e som. Quantos acordes? Quando acordes... 
Começa uma frase. Que a tua voz sempre ganha do sono, que tuas preocupações sempre se tornam minhas, que tuas questões sempre enfrentam a madrugada, que teu sentir sempre transforma minha certeza em pergunta, que tuas palavras sempre realizam meu sofrer, que o teu belo sorriso largo sempre justifica este meu olhar perdido, que as tuas quase-promessas sempre me colocam n’algum lugar distante, que a tua presença sempre me impede de. De... De concluir frases que nunca devem ser ditas.
A entrelinha é tão tua que, ao procurares, achas teu nome... Fluência, enfim. Na nossa língua, mas é. Confessa. Essa legenda que não se entende porque pertence a alguém. Obrigada.