sexta-feira, 12 de maio de 2017

Candinho, Toninho...

Entre os alunos é o Candinho, raramente Toninho. Melhor dizendo, professor Candinho. Numa aula magna disse a nós para amarmos a Literatura Brasileira - talvez parafraseando Cristo automaticamente concluindo em “assim como amei meus alunos”. 
Assim, logo pedi a Literatura em matrimônio. Já éramos muitos anos de relacionamento, desde os meus castigos na Biblioteca quando criança, depois passando pela Federal do Rio Grande do Sul e chegando à Universidade de São Paulo. Candinho, melhor dizendo, Antônio Cândido vestiu o poder milagroso do seu xará Santo Antônio e se tornou o santo-casamenteiro entre a pessoa e a palavra. Amar a literatura. Para isso, Candinho acolhia franciscanamente seus alunos. Tive a honra. Na primeira vez, há quase uma década atrás, indaguei boba ao meu colega de doutorado: É aquele do Discurso e a Cidade? Enfim, sim, estive eu sob a dialética do malandro que rompia a barreira do livro-massa para que conversasse em carne-e-osso com Candinho.
Professor Candinho, figura delgada com passos calmos de sua verve leitora, pincelava de social, filosófico e cultural a musa já retinta de manifestos – a Literatura Brasileira. Intuitivo, tal como a resposta às necessidades profundas do ser humano, ele contaria que Sérgio Buarque era o homem do contrário, o erudito vindo da boemia. Com os braços maternos da musa, Candinho é acolhido no testemunho unânime dos que sobre ele dialogam. Prova também aos seus alunos a confiança que o ser humano pode ter para transcender em si mesmo. Além disso, além de professor, era Candinho como se estivesse em sua própria casa.
Sete anos depois cá me encontro – uma mulher e duas cidades –, em salas do ensino médio, na raia ativa da educação, mais intuitiva que metódica, como ele ensinou. Tudo conforme a cidade em que a alma é a veemente empreendedora do social. Hoje pratico esse amor que me levou a casar com a Literatura. Agora, mais velha e saudosa com jovens tardes de sabedoria, ainda mais.
Querido mestre, gratidão!

Professor Antônio Cândido na íntegra: https://avidaaoresdochao.wordpress.com/versao-integral/