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Entre a saudade e o verbo ir, o Número

Você ao quadrado: potência elevada à saudade e ao segundo.
Que seja a pressa minha amiga.
Rua Oscar Freire (Foto: Larissa Pujol)

Quando o resultado de toda equação somada, multiplicada entre velocidade, distância, data e batimento cardíaco se resultará em nós duas? Quando a pressa deixará de ser inimiga e passará a ser a sabedoria que não se importa com a perfeição, com qualquer cara de cansaço assim que chega ao aeroporto, correspondendo com afã beijante ao sentimento sincero da espera?
Saudade foi feita de cálculo. Mas, ao contrário, ela não é fria. Dias de numerosas contagens regressivas ou de resultados desistentes se a subtração das horas é também dividida com os decimais cotidianos da falta de tempo. É preço das passagens, é o acúmulo de novas frações para aproveitar cada segundo a espera de um lucro de afago.
Foi distância de estrada e de meses. Qual das duas parece ou diz que é impossível? Por qual delas chego primeiro? Se a fórmula sintetiza os passos, por que a abstração da solução não se aplica no método para alcançá-la? É resultado poético da tristeza. Geometria apenas para ser holograma do sincero aceite de estar só.
Dias, saudade, espera: palavras-chave. Quando eu me perco de mim, ela vai atrás para me trazer de volta, embora isso nos custe o que temos. Salva-me como pessoa colocando em risco o cálculo do seu próprio tempo. Ela se resulta numa prova de amor das mais belas. Ela me ama acima de nós. Acima das horas. Eu a amo acima de nós. Acima da espera de pegar o primeiro voo a São Paulo. E isso nos basta. E isso nos soluciona. E fim de cálculo (papo).  

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