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Antes do voo

Café-da-manhã em Santa Maria, jantar em São Paulo.
Que as palavras viajem com bagagem das ideias. 

Mais vale a rapidez eficiente do artificial ou a lentidão bela do natural? Qual foi a última vez que tu choraste por algo que realmente te arrebatasse sem consentimento ou controle? 
Aconteceu comigo. Eu me despediria da querida que muito amo. Iria onde encontrá-la. Abraçar-lhe-ia. Seria um final de manhã de sábado dela. E não consegui. Tive de cancelar por causa de uma correria, uma reunião, uma hora e outra. Passei sem olhar para os lados. E eu tive medo... Logo mais haveria eu de estar no aeroporto de Santa Maria. E mais medo. Muito medo de o tempo não ser algo qu’eu possuísse para abraçá-la. Para o tanto que quero lhe dizer o quanto a amo e sou-lhe grata por tudo qu’ela faz, fez e quer fazer por mim. 
Eu chorei de tanto amor, de tanto sentimento arrebentando o meu peito, o coração acelerado de tanto medo qu’ela nunca saiba o quanto. É a única coisa em que não posso falhar na vida. A única. 
Tempo, por favor, para ela, por ela, passa devagar.  

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