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Um tato

Um tempo que voa. Foto: arquivo pessoal.

Dizem que, quando transbordamos imageticamente do outro, devemos fechar os olhos para retirar essa personalização de dentro de si, colocando a pessoa sonhada em nossa frente para realizar com ela aquilo que sua angústia pede. Eu assim a abracei tão forte. Uma coisa sua que ficou em mim, sem fim, sem apelo a vida.
Assim, a saudade é um tempo de dói. Um tempo que voa... Entre aeroportos. Um tempo que suspende o sofrimento sorrindo escapismos orgulhosos. Um tempo com essa vontade de voltar para ontem que se cura com o amanhã.
Tenho sido gentil com quem me abre caminhos. Em todos os lugares do mundo que eu for, eu fotografo a paisagem mais bela se tu estiveres junto (pelo menos, o meu pensamento em ti). Num retrato, Amor é sombra em calor escaldante, enquanto o inverno, aqui-externo, é a preguiça do sol.
Ela é um tato cego. De um lado a pose, d’outro o ensaio: jamais saberia ser bela, atraente e sensual se me pedisse que fosse. Eu, talvez, tornar-me-ia algo bizarro fidedigno d’uma risada escachada e sagitariana. Jamais saberia ser se me pedissem que fosse. Sou apenas o que não querem qu’eu seja. Por isso, não queiras! 
Não queiras nada de mim
a fim de que eu possa ser tudo 
rendido ao teu desejo.
Assim a abraço-cego com afã conformado-imenso. Logo sem medo de esconder de si o mando de Caio Fernando Abreu, suspiro-lhe no ar comigo-só: “posa para mim? Querer é desejo que nasce na minha boca natimorto, vendo seu olhar se vira absorto na delicadeza de só existir na obscuridade da beleza”.

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