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Mostrando postagens de Dezembro, 2017

Sobre últimos desejos

"Hoje eu só quero que o dia termine bem..."
Estar em casa e saúde. Não vai ser como planejado, mas vai ser como eu sempre quis, agradecendo aos envolvidos por tanto se empenharem em me ver bem, refletindo com cândido efeito dos medicamentos a prática do otimismo. “Está tudo bem, não é nada”. Pratiquei otimismo com a máscara inconseqüente do desleixo. É como se isso mostrasse na imperiosa aparência jovem a cura por que tem de esquecer a dor competitiva com minha força, como que tudo esquecesse pela vil sensação de quem tem muito a fazer em um curto espaço que sequer é para mim. Sim, é tudo! Agora sou conseqüências escorridas das tintas desta máscara: a lágrima, os ais, a corrida do tempo. A anedota que antes eu dizia para disfarçar minha impotência cumpriu até o choro o meu papel de demonstrar fraqueza – o último momento em que a barreira foi estilhaçada pelo problema. Agora, se eu me mostrei vulnerável contigo é porque realmente tu me és muito especial. Cada tu que me lê é u…

Mitologia: ora fé, ora por que

Há uma legenda que afirma que a pergunta causa crise. Discordo, pois quão cansativa é a resposta. Perguntando para tudo e sobre tudo, o que é a resposta senão um instável desafiador de que a certeza inexiste (?). Uma vida que se faz de inteira de seus fragmentos porquês até o mistério após o seu término acumulam o que deve e o que pode com espaço mutável para acolhimento ou abandono. Antes de pensar, tudo é explicado pela mitologia. Ah, a explicação! Essa cômoda necessidade absurda para um lembrete de sobrevivência parada. Os povos explicam (e definem) a natureza através de seus deuses; e se D’us fez o homem à Sua semelhança, o homem criou os deuses também à sua semelhança, imperfeitos na sua condição liberta de serem bons e maus. Cada trejeito de povo contém seu nicho de deuses glorificados contando como surgiu a natureza, a diversidade, o mundo e seus gêneros, a divergência e a não-comodidade. O monoteísta não se acanha. O mito sobrepõe a fé à inteligência. Criado à semelhança do A…

32!

Esse ano, tanto aprendi que resolvi criar cinco lições, cinco máximas minhas que representam a chegada de trinta e dois anos, trinta e dois anos de passado e presente confluindo para o futuro.  Obs.: Quando quero fazer uma retrospectiva, mas tem alguém me fazendo olhar incansável e lindamente para adiante, logo aprendo que os finais felizes têm mais a ver com auroras juntas que com castelos.  
1) Time grande não cai. E isso cabe mais à torcida que à equipe. E isso cabe mais à vida que ao jogo. Quando tentamos erguer alguém, puxar para cima, precisamos ter o imenso cuidado de não deixar nos puxar para baixo. Ajudar quem quer (e se) ajuda. Aprendi que, muitas vezes, não somos capazes de salvar uma pessoa de si mesma.
2) As pessoas temem o preço a pagar na busca pela realização e, assim, conformam-se com a mediocridade, sem se aperceberem que, no final, é esse o preço mais alto. 
3) Precisamos parar de nos apaixonar pelo potencial das pessoas em oposição a quem elas realmente são. Algum…

O perdão se tornou um louco

Reunem-se bandeiras e pisoteios. Palavras de ordem que propagam um falso respeito claro. Pupilas envoltas pelo amarelo como a flor de girassol da doença que me acolhe. Na sala de reuniões, o esbravejo da voz ganha mais significado que a palavra. É o ciúme e a posse nos quais te deleitas, minha querida, na confusão que ora me admiras, ora me invejas. O perdão se tornou um louco. E finalmente acontece. Ele se confunde com a tolerância. Ele pensa que é a tolerância. O perdão está louco! Pessoas próximas reunidas em torno das soluçadas últimas palavras. O arrependimento é a maior mendicância que qualquer ciclo findo de vida. Compaixão dentre os malefícios é o sonífero do ódio posterior. Álbuns, então, consolam a dor ao reduzir a pessoa a uma simples fotografia. Como a febre raivosa de quem ouve o pedido, a verdade que sua morte e seu sofrimento minha vingança vê. Entre a maçã e a Eva, o perdão está na mordida. Tudo o que tem de esquecer é humilhado por necessidade. Para qualquer paz proc…

Coleções cinematográficas em Sampa: Estacionamento (III)

- Qualquer um sabe que D’us não interfere no livre arbítrio das pessoas. “Fazer” alguém amar está fora de cogitação. Basta, aliás, assistir ao Aladin para saber disso. - Cê é cruel, sabia? - Sim e estou terminando a pipoca sozinha. Cruel. Anda, responde, o que tu mudarias no mundo? - Eu inventaria um mundo novo para você, onde o dia e a noite coexistiriam. A chuva e o sol também, em que cada casamento é de viúva, de alguém capaz de valorizar o amor por já havê-lo visto morrer um dia. Um mundo à luz branda, como você gosta. Nada de raios ofuscantes em um calor indigno. Temperatura outonal, um nublado constante, sempre na expectativa da nitidez, que sabemos, desde Sócrates, nunca se alcança. Constelações com miúdas estrelas em gotas que descem cadentes e, quando pesadas pelas superfícies, explode a multiplicidade ampla dos desejos fáceis. Ah, e uma trilha sonora de saxofone que nunca cessa, somente para você ter esse semblante que gosta de ser feliz na tristeza, na introspecção mais ge…