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Mostrando postagens de Fevereiro, 2018

Vidradas

Foi uma borboleta ilhada em um pequeno espaço com vidro e moldura com reforçado quadrado de madeira que causou a avaria. Precisou de uma janela que olhava o significado externo e movimento enquanto liberdade cobiçada entre paredes. A atenção se centrava na professora que ensinava curiosidades sobre a língua portuguesa. O inseto atraiu apenas o olhar da professora. Os alunos, ocupados com o conteúdo e com a atividade, nada se motivaram para contemplá-lo. Durante a chamada, cada nome ganhava um desvio de mirada da docente ao alto no qual estava aquele par de asas coloridas abertas. Estaria morto? Perdera-se? Ou seria o peso das asas confundido com a pena do labor de libertar-se? A professora pediu licença para subir na classe de uma aluna. Queria alcançar a borboleta e, com um lápis, tentar que ela ali se agarrasse para logo entregá-la ao ar daquele portal à física liberdade. A borboleta se esquivou em todas as tentativas: bateu asas, foi de um lado a outro no mesmo quadrado se agarran…

Ética e espaço público: um breve ensaio

Em breve sairá meu voo, anunciou uma bela voz feminina no alto-falante. Entre quem se atrasa e quem caminha lento tentando igualar o significado de tempo com falta do que fazer entre as lojas e cantinas do aeroporto, analiso o espaço-mundo do “desculpe, com licença” e do “vamos sentar aqui” e “daqui a pouco” e fones de ouvido para concertos particulares de tédio... Sobre mim: Bons leitores desconhecem a espera. A concentração é o verdadeiro diluidor do tempo. Eis a interpretação: conceito não é lei.  O fazer individualista é ilusão. Embora haja vezes que a solidão nos acompanhe, sempre será imprescindível a companhia da outra pessoa, mesmo que seja para o pensamento. A ética suporta a indagação: com quem desejamos ou suportamos estar juntos? E disso oriunda contemplação empática e responsabilidade pessoal. Com quem desejamos ou suportamos estar juntos revela muito sobre os nossos exemplos de julgamento e consistência de ações. Na atividade do querer está implícita a afirmação do outr…

Apocalipse de mim

Envolvidas pela luz da velha e fraca lâmpada fluorescente da biblioteca, no chão entre discos, livros e rascunhos de avaliações finais (porque toda poesia tem sua justificativa no fardo), jazz e paz, uma chuva fina, carinhosa finalmente, neste fim de mundo:
- Se você não existisse, Larissa, eu teria de inventá-la.
- Talvez isso te fizesse uma releitura de Mary Shelley, um bocado Dr. Henry Frankenstein.
- Não, isso me faria um Big Bang.
- Que escolha curiosa! Por que não D’us?
- D’us é muito homogeneizador para você. Toda criação divina vem impregnada de um discurso de amor fácil. O Big Bang é mais visceral, é imprescindível, mesmo que a gente não entenda, não aceite ou não ame. Prefiro pensar assim, Larissa, como a grande expansão de algo muito denso e quente e frio que acontece radiante, incontrolável, intenso, impulsivo, impassível e impossível, mas espetacular na sua frente e...
- Boom?!?
- Sim! Eis o universo você.
- Isso foi muito bonito.
- Claro que foi. Isso foi você, Larissa.…

Pó de compaixão

A fotografia que deu errado, mas que achei bonita mesmo assim. Por vezes há beleza no erro e errando tenho a possibilidade para sempre melhorar. Quando tudo dói, deseja-se o básico: “ar para respirar, chão para caminhar...”. Há quem diga que quando as pernas não funcionam a cabeça funciona; e eis que ando com os olhos relendo rascunhos e isso tem me rasurado o coração. Fora eu talvez tão concreta como as coisas de quem escreve dando-se conta que a saudade ficara guardada em gavetas mal trancadas... Passarinho? Que som é esse? Quem sabe o nome dele? Quintana voou por mim enquanto todos se foram. Com todo este meu tamanho, o que posso dizer sobre valentia? Talvez ali, naquele sol que tem rastro de rua, eu me ajude a caminhar; e logo o momento quando a lua faz caminho e forma de mim os passos para os meus sonhos guiar. Porque isso traz a resposta da alma... Brilho eterno de uma mente sem lembranças.