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Mostrando postagens de Abril, 2018

À

Quero contigo o silêncio de quem se despe sem ressalvas, sem pudor, sem escolhas. Quero a nudez do envelhecimento. Quero a beleza da velhice, a força da rendição e a franqueza da saudade. Sobre amores de outono, os meus preferidos enredos. Tudo me é casa se tem teu cheiro. Respeito o tempo e o peso do meu mundo. Sabiá: a privacidade da casa e da legenda. O luxo de ser duas. Tocar as persianas representadas pelas linhas da tua testa e ouvir a canção do tempo. Aquela que inventei para te esquecer, tal qual Chico à Luiza. Exorcizo-me em composição de sombras. De poesias do próprio esquecimento. Quando o mar quer nadar em mim, eu o permito. Deixo-o calçar meus rastros porque há de ter muito de mim no desaguar.  Simplesmente preferir ter toque à memória por assim revisar toda experiência em um esforço concentrado e irrestrito de paz.

Eu dona, ela domina

A arte que tu dominas há que te dominar. Um romance, uma música, uma pintura, um pensamento e todo tempo, estudo e preparação necessários para fazê-lo nascer.  A vida segue exigindo ter pele dura e anestésica. Rocha metamórfica que se molda sobre pressões químicas, físicas e poéticas. Será que alguma vez fui a poesia pisoteada do teu dia? Por vezes, tudo que tu precisas é muito de nada. Fecha os olhos para me ler: - O que tu queres fazer no final de semana? - Quero viver em tons pasteis. - Não tem como não se apaixonar por tua habilidade em torná-los reais. E o mundo inteiro a levitar “a nossa velha infância”... O mar dentro da concha tem um tanto de ti. Coleções singulares e confessionais.  Reino: do verbo ser dona do próprio mundo.

Sobre o aleijamento da coincidência

Eis que descubro mais um diz-que-disse sobre o significado para o amor: a coincidência pelo aleijamento. Os semelhantes pareceres sobre o passar dos danos, os conselhos para outrem sem sequer melhora para nós mesmos.  “Pois é, eu também”, dizia eu a cada poesia de felicidade passageira e tristeza – mendicante de carinho – eterna escrita por Vininha. No entanto ele buscava assim como eu. Ah, tanto consolo saber que sua experiência também era sentir colo. Pronto, a paz do amor consiste em amar a parte machucada do outro e nos servirmos de muletas, um ajudando o outro a caminhar. Significa e conceitua também, longe das vistas, e perto dos conselhos. Há um carinho a ser feito adulando a tristeza: a da soma das compaixões assistidas e também compartidas. Dentro do tema possuo um legado no mundo que são umas namoradas por pedaço de chão que passei. Uma mais querida que a outra e que eu me ufano das conquistas. Melhor: mantenho contato com todas elas! Um intercâmbio sentimental ideal.  Um i…

Os fortes transmitem

Eu me apaixonei quando contei minha história e ela me olhou com qualquer coisa de coragem. Disse para eu vir ver o mundo, pois já teve tempo demais no lado de dentro da janela. Eu dei voltas, ela rezou, ela fez falta, eu voltei. Ela deu o nome. Oi, amor! Mulher que ama aos detalhe, nos retalhos, nos percalços, no cansaço, no pós-urbano, no pós-colégio, no deitar, no ombro, pescoço, pés... Que me enfeita com beijos, rastros de maquiagem e despejo de suas jóias pelo meu corpo e que com isso me arrepia, arrepia com palavras e dedos delicados passeando pelo corpo quente, que fotografa, revive, eterniza e ama mulher que... “Hoje eu vivo p’ra dizer – ou digo p’ra viver – Você é meu lugar. Se o amor não nos quiser, então azar dele: não soube nos amar.” A paciência de me ver tentar e errar, de lutar contra o que não é dom, suportar os ruídos e lamentos e ainda assim beijar a ponta dos meus dedos machucados como quem sabe que o amor cura qualquer imperfeição. O meu futuro cria raiz nela por i…