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Mostrando postagens de Maio, 2018

Aprendiz

Tenho desejos aflitos por olhos que afagam. Uma velocidade aflita por olhos altivos. Tenho estudado muito sobre educação e a arte (não com mesmo intuito da palavra processo) da gestão escolar – o que me tem feito revisitar grandes pensadores e correntes filosóficas clássicas abordadas no ensino. É um – agora faço uso da palavra – processo de dosagem de autocrítica e autopiedade para não acabar em autossabotagem que me impediria de dirigir ou supervisionar uma escola para sempre. Preparo-me para tirar de mim algo digno do tempo e atenção de alguns. Jamais me permitiria a leviandade de me arriscar em algo que admiro tanto sem adquirir conhecimento envolvido. Quem sabe, daqui mais um pouco, eu me sinta pronta e, sim, habilitada com a vantagem da originalidade de retirar a escola do leito vegetativo de ser apenas um organismo saturado de mundo. Reinventar é difícil, no entanto algumas passagens específicas não deixam de ser a escola um alicerce clássico para a dialogicidade da mudança.

Entreaberta

Espreita-me. Espreita-me do verbo reduzir minha visão à tua descrição. Seja eu a foto que eu não vejo, mas que apareço com título artístico ou legenda pronta. Uma proposta indecente de voyurismo sobre o que mais amas nos meus. Capacidade de falar com convicção e complexidade, uma moradia para o cenário das questões. Troca-se impressões e esbraveja sobre mudanças de cabelo, de política, de sentimentos. À externa de diálogos com filmes noir à lucidez da Sessão da Tarde com uma ótima analogia sobre o poder do ódio em ti e em mim. Assim como podemos, portanto, amar qualquer personagem de culpabilidade vilã de nossa projeção. Absurdos do mundo nos alívios das horas. Tudo com a mesma urgência e relevância, que senta no chão e é sensato acomodando as pernas em posição cruzada de índio e é democrática principalmente no erro. A tua visão minha é cálculo, fato e instinto. Ferve a garganta, mas não os nervos. Amo tal mulher inteligente de ser meus olhos multidisciplinares, disciplinada por mim …

Do significado à poesia

- Queria ter a tua altivez. – Ela disse enquanto eu analisava se chovia, conferia a presença da carteira na bolsa, assim como a chave, a precaução, e tentava organizar de cabeça a agenda atribulada do dia, inquieta de um lado a outro da casa, como uma legítima professora, em um quase legítimo atraso. - Como? - Queria ter a tua altivez. - Altivez pode ser boa ou ruim. É um substantivo bem peculiar. – Respondi rindo enquanto jogava uns documentos da coordenadoria na bolsa.  - Ah, é boa. Eu não ia querer ter algo ruim. Altivez te define muito bem, Larissa. - Ah, é?! Então define “altivez”. – Desafiei-a enquanto programava o alerta do celular para alguma reunião importante. - Altivez é quando o mundo parece estar sempre à mercê das tuas vontades, seja de uma maneira muito doce, permissiva e devota. Parei e ri: - Isso não é altivez, guria! Vai-te ao dicionário! - Achei que tu eras mais o Augusto dos Anjos do que o Aurélio. - Mesmo assim não faz sentido em nenhum dos casos. - Queres aposta…

Benzedura

Toda superstição leva teu nome. O amor é o único argumento capaz de transformar saudade em fé. Numa música de Marisa Monte para aqueles cinco minutinhos a mais na cama (assim dizer que foi te amando). Enigmas que salvam com um tanto de poesia quando fico inábil para perceber a tua forma, mas te encontro ao meu redor.
Presença que enche meus olhos e alegra-me porque estás em todos os lugares. Amo porque és sólida e impressionas o sol que gosta da curva do teu colo. Uma responsabilidade afetiva: não lavar as mãos quando temos, entre elas, corações alheios.
Que olor tem o teu silêncio?
Olho para cima na condição de inventar estrelas como qualquer poeta. Questão de amparo para sustentar a leveza do ser, mais arfar: verbo este que liga minha boca à tua nuca.
Mulher que me bagunça e ainda assim me põe em síntese.