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Mostrando postagens de Setembro, 2018

Entre mãos

Às vezes o ser humano, ou eu somente, preciso somente de alguém que se aproxime para duas, apague a luz e me sussurre “sinta aqui essa massagem”. Eis que a mão é puxada para o centro-ritmo embolado, circulatório, embora carregado e adjacente à saudade que não cabe ali, naqueles batimentos. Na música a casa e aconchegante e registrável até que se bagunce tudo. Assume-se a angústia, a introspecção e a reflexão com o tempo sobre o que ele proporciona e tira. Período difícil. Perdão acentuado de sobremaneira. A negligência com o passado e com o que nos trouxe aqui... Quanto medo à comédia de minha insônia isso acrescenta. Prevejo e compartilho à toa. Só e só há alguma beleza na tristeza individual e intimista. Na coletiva, só há dor e despropósitos. Desejo de saúde forte! Cautela e comemoração... Entre as mãos. Eis que alguém deitada ao meu lado na cama quase fria, quase quente me olha nos olhos e sorri um sorriso de covinha após um longo silêncio à noite de uma data com alguma intenção de…

Crônica epistolar

“Oh, paulistinha bonita”, inicia a estrofe cantada por Teixeirinha à luz da união entre os dois estados cuja saudade atravessa a ponte sobre o rio da milonga. Oh, minha paulistinha bonita! Um elogio de mimético desembaraço desta que a beija e a escreve com toda guarda divina que sua pessoa me tenta. Oh, minha paulistinha que de tão bonita é sua desfaçatez quando lhe digo que você tem Angélica na cara... Deixando de lado os regozijos de uma “boca do inferno”, permeia-me a paz do convite a estar com você em meu colo com mimos de inha, tal qual a paisagem bucólica que cerceia a nudez feminina nas estampas dos lençóis sobre a cama desfeita. Meu odeon onde a cantiga sofre nas rimas de inha por todo carinho que lhe alcança nesta ponte. Paulistinha. Pequenininha. Um diminuto de tempo e espaço para que você caiba de amuleto no que posso chamar de meu. Eu a amo e ainda tenho tanto para amá-la... Amar como todas as épocas que divagam a poética pesquisa sobre amar e pecar, fugindo para qualquer ca…

A peleja e o silêncio

Possuímos o péssimo habito de pelejar com o tempo e isso é acentuado em datas comemoradas. Aprendemos a gostar de dias pelo esforço de resultado amoroso entre nós, ainda paixões, ainda família, ainda amigos. Não há como não sermos invadidos por uma onda de emoção de água fria e de gratidão pela impecável e emocionante que muitos manifestam a felicidade de compartilhar qualquer coisa de vida. Entre nós salvamos nossas almas em dias comemorados cuja efemeridade e as dores costumam pesar além do comum. Lermos, ouvirmos, sentirmos entre nós é a certeza de que algo certo construímos em tempos de peleja e, por aqui, sigamos aprendendo com alguma humildade e devoção a aceitar que isso basta e é tanto. Paciência, sabedoria, delicadeza, generosidade. Cada um sabe um pouco ou vive tudo de cada. Conversa gostosa entre nós, ainda paixão, ainda silêncio, ainda segredo. Precisamos falar sobre o silêncio, pessoal. Esse aspecto do tempo retraído: música, relação, tecnologia, arte, natureza, vida. São…

Depreendidas

Para bom poeta, meias bastam. Ter cautela ao andar para não pisar em desejos alheios. Se no mar, por vezes deixar-se inundar é forma de cravar os pés no chão. Nem sempre há desespero no descontrole. Essencialmente urbana, mas com um respirar de espaços bucólicos onde anda em mim um vestido jogado de morangos... Esquecer na perda do admirar as bobagens de amor que iria dizer. Sou da megalópole e me é intrínseco o concreto que assim me equilibra em grandes altos de alcance celeste – o mesmo que, em momentos silentes, recolhe a paz em meu rebanho e em grandes altos de ambição como a frase “Queria tanto que alguém me amasse por alguma coisa que eu escrevi”. Todo cansaço será recompensado? Na poesia parece óbvio. Na realidade, nem tanto. Para compensar: aquieta-te. Cansa teu olhar no meu, querida. Espera o melhor para colher o tempo de beleza resgatada no interior de nós. Vem, querida, descansa teu olhar no meu...