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Mostrando postagens de Outubro, 2018

“O resto é silêncio”

Dúvida, desespero e dimensão. Gradação ontológica de caminho coletivo, no entanto concentrada no poder de um monólogo. O que me diria o príncipe clássico, seja ele o primeiro homem moderno, sobre o cotidiano? Qual relação dele com o fundamentalismo crescente? A prática com lógica e estratégia, longe da metafísica da superstição ou do que hoje é o aparente. O poder do eu, da sua ação e sua liberdade – glória e tragédia a partir da crença do eu fundador do mundo e, para consertá-lo, antes conserto a mim, posto que a socialização me traga à tona. Peça dentro da peça – o fingir que leva a ser na espera do outro. Fingir é o eu soberano no antropocentrismo moderno das visualizações: a obra de arte, como definiram os gregos, é o ser humano. O primeiro passo – a proclamação do eu – claramente senhor do seu destino, vista a dúvida pela vida “ser ou não ser”. Instaurar assim a própria ordem sem o sofisma da redenção do amor. No trajeto moderno que requer etiqueta e retórica, a primeira morre co…

A velhice é um ganho

Almoço não é uma refeição para ser servida em dias de chuva. Tais dias requerem a casca de noz de Hamlet na qual a inteligência que nos resta é o silêncio. Almoço é o âmago das mãos dadas em posição de oração rápida devido à fome e a escassez de vontade de permanecer juntos. Sempre (ou geralmente) em dias de sol a pino, o almoço oferta pratos quentes à servidão coletiva de um abraço que depois se come frio – como a vingança significada pela tardia aparição do assunto principal como alimento. Em dias de chuva recuso restaurantes, alvitrar panelas ou macarrões instantâneos de micro-ondas. O recurso alimentar permanente é a xícara de café: sem incômodo algum somada à prática intensiva de um ego à luz da solidão cujo livro compartilha em personagem. Uma vez ou outra, uma bolacha solta de maisena solidificando a função de ser movida pela fome e entrar em páginas alheias deixando rastros de farelos. Entre a cabeça e o estômago há um coração implorando por casamento. Eu, na casca da noz, o pen…

Protagonistas

As duas com os olhos fechados, mas ouvidos receptivos notaram que a chuva é a metáfora da salva de palmas. Notaram-na com a imagem audível do sucesso. A chuva as aplaudia no silêncio dos olhos na gratidão do abraço. O céu inteiro era seu público que clamava por intenção, desejo e realização. A chuva lhes derramava palmas sobre a cena. Um palco terráqueo cujas projeções são duas entre as multifórmicas posições no leito. Quando as nuvens carregam consigo o recolhimento álgido das premissas, a exigência é que recomecemos o que se precisa encantando o firmamento. Se elas estão felizes, agradam a origem frutífera e da enegrecida beleza do ambiente que abre as cortinas desta obra denominada nós, o céu, o meio, as partes. Aquietar, ouvir palmas de chuva na hipérbole onírica displicente de qualquer poesia curvada ao ritmo, ratificar o que de tristeza aos néscios ela significa, mas que traz aos sábios o que ela inspira. Seja texto. Seja sexo. O descanso entre elas tem sua história no berço estela…

Significante e significados

"ajo com sensibilidade da esquerda e a razão da direita" - disse a idiota. A idiota para a qual O inimigo do Povo rir-se-ia dela que lá sobre o muro, o centro do mundo com demagogia unificada, a ruir-se no sorriso prolixo de mandíbula oprimida. A idiota para a qual Dostoiévski desferiria um tapa em sua cara por preguiceira de mudar o sexo do seu livro. A idiota no sentido exato do substantivo no sentido grego de significado. A idiota de doida. A idiota que louva o capitalismo nas personagens prostituíveis de marca Madame Clessi. A idiota elogiada por Erasmo e rida pelos sábios. A idiota pedinte dos Miseráveis. A idiota para a qual La Boétie comentaria: ave, a "frilance" que se acha empreiteira. A idiota - invejosa porque nunca foi aprovada em um concurso público - a qual Dante soltaria um: aham, senta lá, Cláudia - com toda postura epopeica da poesia endemoniada. A idiota que Caetano encaixaria no verso "somos uns boçais". A idiota, não perca, no cinema-…