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Mostrando postagens de Novembro, 2018

Uni duni tê

O que é legítimo enquanto escolha? Ou poder de escolha? Quando a escolha é capaz de tornar legítima a nossa voz? Infelizmente não conseguimos. Os quase cem por cento das nossas vozes não conseguiram. Nossos sonhos com elas escorrem como os soluços que agora são as vírgulas entre as nossas lamentações. Infelizmente não conseguimos. No entanto conseguimos ter a honra de estarmos cientes de nossa escolha e que dela sabíamos que sim daria tudo certo. Daria... Ó, futuro incorreto da incerteza, dependente de condições.   Democracia, teu apelido amistoso é escolha. Democracia, teu nome é poder. É inflação do ego. É uma mão de leve no ombro ingênuo e a outra puxando o tapete. Neste ano vivemos os dois lados da “voz do povo”: de um, a voz insipiente que deteriorará uma nação; do outro, nossa voz de mudança conquistada, mas retirada pelo infortúnio do mau caráter. Voz do povo é, ainda, aquela que vota, elege. A bem da verdade, é uma voz que mais pede por socorro do que canta vitórias. Eis o erro de…

Ela é toda prosa e poesia

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O cuidado de amar com ciúme

- Não entendi por que ela destratou minha convidada. - Gente, e aquela hora que ela começou a arrastar as cadeiras, do nada, bem na fala da sua convidada? - Percebi nela uma falta de tato e um tanto de despeito, mas deixei para lá. Procurei deixar minha convidada o mais bem acolhida possível. - Pois é, um tema tão importante de palestra. - Ah, Larissa, cê que é mulher não entendeu? - O quê?! - Que ela estava se mordendo de ciúme! - Ahn! – abri a boca estupefata como se toda minha trajetória supostamente sábia até o doutorado caísse por terra tomada pelo tiro que me jogava morta na ignorância de não ver, diante de mim, um interesse feminino... - Hum... Acho que falei demais. Nós, bixa velha, sabemos de tudo o muito, mas pecamos em deixar transbordar indiscretamente... - E nem precisa! – fui tomada por uma alegria, na verdade, um salvamento. Meu D’us! – pensei – eu interesso a ela. Uma mulher cuja guisa estamparia os modelos franceses de arte; cujas palavras proferidas são ora a enciclopédia, or…

[...]

A sensibilidade, cedo ou tarde, leva a rebelar-se. O mal vai por todos os lados, inclusive em mim no que finaliza a fala do príncipe: a consciência nos torna covardes. Envelhecer a proporção de sentir medo, quanto mais medo, mais consciente do mundo. Percebo que a vida tem risco e que não sabê-lo é uma bênção. A consciência é um fardo, e a ignorância é a virtude otimista da felicidade (geralmente encontrada nas festas de final de ano ou nos períodos eleitorais). O príncipe ensina-me o estoicismo de quem se conhece: não ofender-se. Abre-se a Caixa de Pandora e estrutura-se a solidão como consciência moderna. Solitários na modernidade que trouxe a diversidade de que o inferno são os outros. Solitários na própria consciência da necessidade de coisas novas. Narciso isolado, mas necessitado da confirmação de que sua vida merece ser vivida. A obsessiva publicação na informação de outrem: solidão individual perdendo significado orgânico de contato. Dizer o que é usual para se ouvir colocando…