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Este blog é o espaço profissional da professora e escritora Larissa Daiane Pujol Corsino dos Santos. Todo o conteúdo é devidamente registrado pela FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL, adiantando a sua autoria. Logo, para fins de compartilhamento, o aviso prévio e a menção a autora são indispensáveis. Para mais informações, acesse a Lei 9610/98.

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Blog Lado Céu.



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Crônica epistolar

“Oh, paulistinha bonita”, inicia a estrofe cantada por Teixeirinha à luz da união entre os dois estados cuja saudade atravessa a ponte sobre o rio da milonga. Oh, minha paulistinha bonita! Um elogio de mimético desembaraço desta que a beija e a escreve com toda guarda divina que sua pessoa me tenta. Oh, minha paulistinha que de tão bonita é sua desfaçatez quando lhe digo que você tem angélica na cara... Deixando de lado os regozijos de uma “boca do inferno”, permeia-me a paz do convite a estar com você em meu colo com mimos de inha, tal qual a paisagem bucólica que cerceia a nudez feminina nas estampas dos lençóis sobre a cama desfeita. Meu odeon onde a cantiga sofre nas rimas de inha por todo carinho que lhe alcança nesta ponte. Paulistinha. Pequenininha. Um diminuto de tempo e espaço para que você caiba de amuleto no que posso chamar de meu. Eu a amo e ainda tenho tanto para amá-la... Amar como todas as épocas que divagam a poética pesquisa sobre amar e pecar, fugindo para qualquer ca…

“Com os olhos de comer fotografia”

Pedi-lhe uma fotografia de instante. Um registro daquela singela desfaçatez vaidosa e despreparo de pose. Os cabelos encaracolados, presos em um coque-amélia de subserviência, divagavam o caminho elíptico de lenta tessitura rendida de seus olhos fechados – quase fechados – um feixe ainda entregue ao meu foco estático que ela soubera fazer imagem, fazer cinema de mim! Em uma rápida censura, a educação de sua alvura diáfana assinou o nome de Fragonard: a young woman reading. Sua pele à fresca da modernidade foi a imediata poesia àquela obnubilada essência triste antes em meus olhos. Estes endureceram junto às digitais na tela e minha língua rija na cala sôfrega da virtualidade. O rosto que ela me permitiu era todo um corpo, um nascido afinado de pequenos detalhes que compunham uma outra mulher de contornados seios que me olham através da Íris mensageira dos deuses – conectando o mundano e o celeste para um átimo de relação amorosa full-screen – e de intensa cor – eram seus lábios vagin…

Depreendidas

Para bom poeta, meias bastam. Ter cautela ao andar para não pisar em desejos alheios. Se no mar, por vezes deixar-se inundar é forma de cravar os pés no chão. Nem sempre há desespero no descontrole. Essencialmente urbana, mas com um respirar de espaços bucólicos onde anda em mim um vestido jogado de morangos... Esquecer na perda do admirar as bobagens de amor que iria dizer. Sou da megalópole e me é intrínseco o concreto que assim me equilibra em grandes altos de alcance celeste – o mesmo que, em momentos silentes, recolhe a paz em meu rebanho e em grandes altos de ambição como a frase “Queria tanto que alguém me amasse por alguma coisa que eu escrevi”. Todo cansaço será recompensado? Na poesia parece óbvio. Na realidade, nem tanto. Para compensar: aquieta-te. Cansa teu olhar no meu, querida. Espera o melhor para colher o tempo de beleza resgatada no interior de nós. Vem, querida, descansa teu olhar no meu...