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Lado céu

Criado em 2009 para compartilhar artigos acadêmicos da autora¹, o blog, aos feitios da ficção, objetivou moldar-se, meramente, à criatividade expressa na verdade. Em 2011, define-se, para efeitos de leitura, neste guru publicado semanalmente em crônicas (poéticas / líricas) e nas justas posições dos diálogos prontamente ditos n'algum rabisco visionário e, sobretudo, humano. 

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¹ Textos divulgados na página Outros Escritos

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“Com os olhos de comer fotografia”

Pedi-lhe uma fotografia de instante. Um registro daquela singela desfaçatez vaidosa e despreparo de pose. Os cabelos encaracolados, presos em um coque-amélia de subserviência, divagavam o caminho elíptico de lenta tessitura rendida de seus olhos fechados – quase fechados – um feixe ainda entregue ao meu foco estático que ela soubera fazer imagem, fazer cinema de mim! Em uma rápida censura, a educação de sua alvura diáfana assinou o nome de Fragonard: a young woman reading. Sua pele à fresca da modernidade foi a imediata poesia àquela obnubilada essência triste antes em meus olhos. Estes endureceram junto às digitais na tela e minha língua rija na cala sôfrega da virtualidade. O rosto que ela me permitiu era todo um corpo, um nascido afinado de pequenos detalhes que compunham uma outra mulher de contornados seios que me olham através da Íris mensageira dos deuses – conectando o mundano e o celeste para um átimo de relação amorosa full-screen – e de intensa cor – eram seus lábios vagin…

Todo dia (especialmente nesta semana)

Às pessoas que passavam por mim refutando o clima chuvoso com interjeição indagada de participação coletiva reclamante “ah, que horror, né?!” eu respondia “um dia de chuva é tão belo como um dia de sol. Ambos existem; cada um como é”, bonitos à sua maneira, propícios a diversas tarefas para quem não se esconde na queixa. Logo, algo que me chamara atenção veio da paciência dessas pessoas ao pararem silenciadas ante a lógica pessoana. Encontraram a raridade e em mim o halo dos desaparecidos? O sinal da escola soava, os carros passavam, o pátio era um odeon de premissas e pressas até que o espaço concreto se tornava o próprio ar de langorosas difusões de olhares e palavras, como a água corrente de efeito apenas seu e intransferível. Não era coisa esperada. Tampouco suas caras! A matéria parou. A matéria reflexiva, o guarda-chuva que não fechava, a pressa que cessava. Eu queria realmente aquele gesto em seus olhos – a aura após a cegueira. Pareciam, cada um a seu tempo, enfim, na companhi…

Crônica epistolar

“Oh, paulistinha bonita”, inicia a estrofe cantada por Teixeirinha à luz da união entre os dois estados cuja saudade atravessa a ponte sobre o rio da milonga. Oh, minha paulistinha bonita! Um elogio de mimético desembaraço desta que a beija e a escreve com toda guarda divina que sua pessoa me tenta. Oh, minha paulistinha que de tão bonita é sua desfaçatez quando lhe digo que você tem Angélica na cara... Deixando de lado os regozijos de uma “boca do inferno”, permeia-me a paz do convite a estar com você em meu colo com mimos de inha, tal qual a paisagem bucólica que cerceia a nudez feminina nas estampas dos lençóis sobre a cama desfeita. Meu odeon onde a cantiga sofre nas rimas de inha por todo carinho que lhe alcança nesta ponte. Paulistinha. Pequenininha. Um diminuto de tempo e espaço para que você caiba de amuleto no que posso chamar de meu. Eu a amo e ainda tenho tanto para amá-la... Amar como todas as épocas que divagam a poética pesquisa sobre amar e pecar, fugindo para qualquer ca…