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Lado céu

Criado em 2009 para compartilhar artigos acadêmicos da autora¹, o blog, aos feitios da ficção, objetivou moldar-se, meramente, à criatividade expressa na verdade. Em 2011, define-se, para efeitos de leitura, neste guru publicado semanalmente em crônicas (poéticas / líricas) e nas justas posições dos diálogos prontamente ditos n'algum rabisco visionário e, sobretudo, humano. 

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¹ Textos divulgados na página Outros Escritos

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Vulto e clarividência

- Meu lugar preferido para vê-la. Remete alguma experiência pós-morte. - Como assim?! Tu tiveste alguma experiência dessa? - Não, mas imagino assim alguma forma de paraíso. A visão um pouco turva com uma imagem serena como passa nos filmes. - Tu tens sido uma boa menina? - Ah, não me faça pensar nisso, Lari, não faça do meu paraíso o purgatório com suas perguntas filosóficas que causam crise existencial até em uma criança.  - Eu sei ser o inferno, “Margarida”, através de um ponto de interrogação. - Eu também não duvido que o diabo tenha essa aura celestial. As pessoas o deixam muito caricato, mas creio que ele seja bem sedutor. - Estás sentindo este cheiro de fogo e ar abafado? - Hahahaha... Sempre grata à companhia de plantão, de chão, de colchão, de boas conversas despretensiosas e ecumênicas. Entre pesquisas e textos, nossos intervalos de criação foram recheados de boas risadas.

Coleções cinematográficas em Sampa: Estacionamento (II)

- Vamos! - A melhor pergunta da noite: no meu ou no seu? - Engraçadinha. No carro, com uma verdadeira tempestade primaveril. - Você realmente relaxou aqui... - A melhor forma de lidar com o medo: racionalizar. - Nisso cê é boa. - Grata. - Não foi um elogio. - Não sou tão austera como tu pensas. - Eu não penso. Eu sinto. - Desculpa, senhora sensível. - Convença-me do contrário. - Já cheguei a poetizar os raios. Numa legenda de rede social questionei o que as pessoas mudariam no mundo se fossem D’us. Pensei em eliminar os raios, no entanto, numa conversa despretensiosa, eu cheguei a concluir que seria anti-poético aniquilar a única coisa que une céu e terra com contínua fortaleza de energia. Quase uma metáfora do amor. Isso não é racionalizar. - O que você mudaria, então, transformaria no mundo? - Na época falei de nuvens coloridas porque o registro tinha um rastro colorido no céu. Mas, pensando bem, ficaria um tanto como um horrendo quadro do Britto. - Hahahaha... - O que tu mudarias, …

Ética e espaço público: um breve ensaio

Em breve sairá meu voo, anunciou uma bela voz feminina no alto-falante. Entre quem se atrasa e quem caminha lento tentando igualar o significado de tempo com falta do que fazer entre as lojas e cantinas do aeroporto, analiso o espaço-mundo do “desculpe, com licença” e do “vamos sentar aqui” e “daqui a pouco” e fones de ouvido para concertos particulares de tédio... Sobre mim: Bons leitores desconhecem a espera. A concentração é o verdadeiro diluidor do tempo. Eis a interpretação: conceito não é lei.  O fazer individualista é ilusão. Embora haja vezes que a solidão nos acompanhe, sempre será imprescindível a companhia da outra pessoa, mesmo que seja para o pensamento. A ética suporta a indagação: com quem desejamos ou suportamos estar juntos? E disso oriunda contemplação empática e responsabilidade pessoal. Com quem desejamos ou suportamos estar juntos revela muito sobre os nossos exemplos de julgamento e consistência de ações. Na atividade do querer está implícita a afirmação do outr…